Poesias, Crônicas & Reflexões

Um espaço para paixões, sonhos e utopias…

A Bolacha mais Gostosa do Planeta

bolacha

Sabe quando você compra aquela bolacha que acabou de lançar, num sabor super-hiper megadiferente, que você nunca tinha imaginado a possibilidade de existir???

Essa é a sensação que muitas pessoas passam à primeira vista. Elas parecem ser ultraoriginais e expõem ideias fantásticas que deixam todos ao redor embasbacados por nunca terem pensado sob aquele ângulo.

Mas quando você conhece um pouco mais a fundo essas pessoas, a decepção é bem parecida com aquela sentida após comer todo o pacote da mais nova sensação em biscoitos.

Ao experimentar a primeira bolacha, você sente que o recheio não tem exatamente aquele sabor ou textura que esperava. Mas como nem sempre se gosta de cara de algo diferente, logo pensa que precisa apurar o paladar.

Aí acaba comendo a segunda, a terceira, a quarta, até a última bolacha do pacote. E quando termina se dá conta que o sabor não é assim tão incomum, nem tão gostoso quanto imaginava. Chega até a concluir que dá muito bem para viver sem ele.

Algumas pessoas são assim… Chegam gerando expectativas enormes, mas aos poucos vão mostrando que algumas características que evidenciaram possuir num primeiro encontro apenas fazem parte de um personagem que construíram para se sentirem especiais.

São pessoas totalmente inseguras que tentam chamar a atenção sendo o que não são. Que projetam em sua personalidade qualidades que gostariam de possuir ou desenvolver, mas que no fundo não possuem, nem se esforçam para conquistar.

E o pior é que às vezes essas pessoas passam uma vida inteira insistindo na ilusão de que um dia a oportunidade delas vai chegar, que o mundo vai acabar descobrindo sua genialidade. Elas preferem acreditar que têm talento, criatividade e inteligência acima da média, do que na originalidade de ser o que se é.

Como escreveu poeticamente Humberto Gessinger “ninguém é igual a ninguém”. E esse é o grande barato do ser humano. Cada um encontrar o seu caminho para se realizar e ser feliz. Sem falsas expectativas. Afinal, ninguém precisa ser um gênio ou uma celebridade para ser amado ou respeitado.

Além do mais, a mentira tem pernas curtas e ninguém gosta de “fakes”. A verdadeira personalidade sempre vem à tona. E quando isso acontece, essas pessoas acabam perdendo todas as possibilidades que teriam de encantar realmente alguém.

Como tão bem define o Houaiss, os primeiros significados para especial são individual, particular, peculiar, pessoal. Só em sexto lugar vem fora de série, ótimo, excelente. Talvez esteja assim enumerado porque de modo geral quem é verdadeiro e demonstra naturalmente suas particularidades acaba se tornando alguém fora do comum, especial.

Então, não se chateie, nem mude de personalidade se no fundo, no fundo se sentir como uma simples bolacha de chocolate. É muito melhor ser uma bolacha de chocolate deliciosa e sempre bem-vinda do que ser um novo sabor de bolacha recheada que ninguém conhece e pode acabar se tornando edição limitada se não superar as expectativas dos consumidores e fabricantes. Pense nisso!!!

O Brilho dos seus Olhos

luar

Nossos corpos entrelaçados,

o abajur apagado…

O brilho em seus olhos

ofusca o céu estrelado.

 

Anoitece a minha tarde,

encobrindo-a com um véu.

Ilumina a minha manhã,

clareando o meu céu.

Em busca de um lugar ao sol

sol

Flashes, autógrafos, entrevistas… Quantas pessoas fazem de tudo para ser o centro das atenções?

A presente questão tem sido tão recorrente que serviu e continua servindo de argumento para várias novelas, como em Insensato Coração, atual novela das nove, em que a ex-participante de reality show Natalie Lamour, vivida por Deborah Secco, se envolve em várias confusões em busca da fama.

Outra personagem que deu o que falar foi a espevitada Rakelli, papel de Ísis Valverde em Beleza Pura, que sonhava ser assistente de palco do Caldeirão do Hulk. E quem não se lembra da dupla Darlene e Jaqueline, interpretadas por Deborah Secco e Juliana Paes na novela Celebridade? Sem contar os vilões da mesma novela, Laura e Renato, vividos por Claúdia Abreu e Fábio Assunção, que armaram várias falcatruas para derrubar a bem-sucedida e famosa mocinha, Maria Clara, personagem de Malu Mader.

Além das novelas, nos programas conhecidos como reality shows, “pessoas comuns” buscam a fama a todo custo, como se o sucesso e a felicidade só pudessem ser conquistados através da notoriedade.

Infelizmente, essa distorção de valores não ocorre só na tevê, até porque a arte muitas vezes imita a vida. Quando olhamos ao nosso redor, percebemos que várias pessoas de nosso convívio procuram o tempo todo mostrar que são superiores. Esquecem-se de que todos, sem exceção, fomos feitos do mesmo barro e, como iguais e irmãos, devemos conviver em harmonia.

Claro que, mesmo sendo iguais, somos diferentes; cada um com suas particularidades, seus talentos e suas deficiências. No entanto, são essas diferenças que nos fazem únicos e indispensáveis para o todo que compomos.

Então, por que continuamos insistindo em selecionar, priorizar, valorizar e destacar apenas alguns, se na verdade os eleitos reúnem em si um pouco de cada um de nós? Se eles são o resultado das experiências que tiveram com outros indivíduos tão especiais como cada ser humano? Se são apenas uma parte desse conjunto tão rico e tão belo?

Para reverter a situação atual, onde boa parte das pessoas se pauta em valores distorcidos como fama, poder e dinheiro, seria imprescindível que pais, educadores e a sociedade em geral se mobilizassem e juntos retomassem o ensino dos verdadeiros valores, entre eles o respeito, o amor, a solidariedade e a paz.

Assim, quem sabe num futuro próximo, em vez de fama, as pessoas busquem se tornar um ser melhor, cujo objetivo de vida seja não egoisticamente apenas conquistar uma posição de destaque, mas sim construir um mundo mais justo, onde todos sejam respeitados e valorizados, tendo o direito de ocupar, cada um ao seu modo, o seu lugar ao sol.

Sombras mais belas

mulher

 

Desde o início da história da humanidade a figura feminina sempre foi relegada ao segundo plano. Às mulheres cabia apenas gerar e criar os filhos, cuidar dos afazeres domésticos e satisfazer as vontades dos homens.

 

Com o passar dos tempos, devido à disputa pelas mulheres “mais belas”, a feminilidade ficou diretamente associada a padrões estéticos, passando assim a ser um atributo da mulher que deveria ficar exposto para a contemplação dos homens.

 

Nas ocasiões sociais, os homens levavam suas esposas como um objeto capaz de conferir certo status para seu “dono”, de acordo com sua beleza, vestimentas e jóias. Com o passar do tempo, para aumentar o “valor” dado à mulher na sociedade, exigiram-se que ela se tornasse um meio de entretenimento durante as festas, tendo que aprender a tocar algum instrumento, recitar poesias, dançar, etc.

 

No final dos anos 60, com a invenção da pílula anticoncepcional, a figura feminina sofreu uma grande transformação. Ela deixou de ser submissa à figura masculina, conquistando enfim sua plenitude. A mulher deixou de ser apenas mãe e esposa, para tornar-se cidadã – dotada de direitos e deveres –, capaz de tomar as rédeas de seu próprio destino.

 

Mas, apesar dessas conquistas, muitas mulheres ainda atuam unicamente como entretenimento, já que usam seu corpo e outros atributos estéticos para chamar a atenção e ter seu espaço na sociedade. Esquecem-se que não são meros brinquedos ou objetos para distrair os homens e que o seu “valor” não está em sua aparência e sim em sua essência.

 

Num mundo onde os valores andam tão distorcidos, é preciso que as mulheres deixem de ser apenas “sombras mais belas” dos homens, conquistando seu espaço na sociedade como um ser completo, dotado não somente de beleza, mas, sobretudo, de razão e emoção.

O Meu Amor

amor

Na minha mente

pairam saudades e lembranças,

mas nenhuma esperança.

 

A minha boca

tem necessidades e desejos,

só não tem seus beijos.

 

O meu corpo

tem paixão e ardor,

mas não o seu calor.

 

Só que em meu coração

não existe rancor,

nem orgulho,

apenas amor.

 

E o meu amor

é capaz de tudo,

vence a dor,

desafia o mundo.

O Tempo

relógio

 

Aqui estou eu,

mais uma vez,

começando a reconstruir

o que o tempo desfez.

 

Segura estava eu,

iludida com o amor.

Só que de repente o tempo

trouxe-me uma imensa dor.

 

Tudo havia tomado sentido,

o meu rumo estava certo,

mas o tempo me mostrou

que os atalhos são incertos.

 

Todavia continuarei

a recompor meu mundo,

transformado pelo tempo

num caos profundo.

Meu quarto, meu mundo

quarto

Meu quarto não é pequeno, nem grande. É do tamanho ideal para organizar meus móveis, meus conhecimentos, minhas ideias e minhas emoções.

Minha cama fica bem no centro, entre o criado-mudo e o aparelho de som, meu companheiro nos momentos de solidão.

O guarda-roupa, que não guarda só roupas, mas também objetos pessoais e úteis, fica bem em frente à cama, que vive cheia de cadernos, livros e roupas que não tive tempo de guardar.

Meus livros e materiais de estudo ficam cada um em um lugar… Na cômoda, no guarda-roupa, no criado-mudo, enfim, no lugar que eu deixar.

Meu mundo se baseia no meu quarto. Suas quatro paredes guardam todas as minhas ideias, conhecimentos e sentimentos.

É do meu quarto que expresso quem realmente sou. Que reflito, que leio, que estudo, que rio, que choro, que sonho…